Colar de pérolas

Comecei a ler a conta gotas no meu kindle o livro “Cuide dos pais antes que seja tarde”, do Fabrício Carpinejar.

Em cada frase, em cada palavra, vem a imagem da minha mãe Júlia.

Tenho ido visita-la com maior frequência e com uma enorme paciência e, consequentemente, observo cada detalhe para retribuir todo o afeto que recebi dela durante toda a minha vida.

Ela chegou aos 87 e só agora percebi que ela está sempre usando um colar de pérolas.

Observo também que ela está sempre bem vestida, nunca de pijama nem de havaianas, em qualquer hora do dia que eu chego em sua casa, mesmo sem avisar.

Também não usa a sandália fechada que a fisiatra receitou.

A vaidade dela não permite, que hoje entendo e aceito muito bem.

Minha mãe sempre foi assim.

Meu pai deve ter dado o primeiro de muitos colares de pérolas que ela tem e usa desde então.

Acho que nunca a vi, exceto nos finais de semana no Sharlé, sem um colar de pérolas.

Ela fica bem mais bonita que a Jackie Kennedy, que tinha também esta marca do colar de pérolas.

Dona Júlia é a Primeira Dama da nossa família.

Sabe-se que as pérolas estão sintonizadas com as fases da lua, que controlam as mudanças das marés.

São objetos calcificados de forma esférica precisa, encontrados em moluscos, do mesmo material usado para formar suas conchas protetoras.

Representam assim o papel protetor que ela sempre exerceu na minha vida.

A minha maestrina, desde sempre.

As pérolas podem durar até 150 anos e uma pérola natural com cerca de 2 mil anos foi descoberta na Austrália.

Não chego a pedir a Deus que a mantenha aqui com o mesmo tempo de vida de uma pérola de seu colar, mas peço que me dê sabedoria e saúde para conseguir escuta-la e entender suas tristezas e necessidades.

Ser o porto seguro que ela sempre foi para mim.

perolas

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