
Desde criança nunca entendi certas expressões que adultos falavam.
“Água que passarinho não bebe”, “arrastar as asas”, “Dar uma de João sem braço”, “cor de burro fugido”, “Vá pentear macaco”, “Vá sombrar porco”, “Onde Judas perdeu as botas”, “Pensar na morte da bezerra”, “Tirar o cavalinho da chuva”, “Chover no molhado”, dentre tantas outras.
Com o passar dos anos, fui entendendo o significado, principalmente pelas explicações e broncas da minha mãe Júlia e da minha avó Gracinda.
Já em 72, entrando na faculdade de engenharia, começaram a surgir outras expressões e/ou palavras estranhas.
Uma das primeiras, ainda no Icex, me foi apresentada pelo Professor Ruy Tojero : “Vetor”.
Aula de Mecânica Geral I.
Eu atento numa resolução de um problema no quadro negro (naquela época era realmente negro), não percebi em que momento o vetor tinha desaparecido.
E ingenuamente fui perguntar ao Mestre onde ele tinha ido.
Ele, sarcasticamente (como diria meu pequeno Luca), colocou o giz na mesa calmamente e me chamou até a porta da sala:
– Corra que ainda dará tempo de alcança-lo, ele está quase descendo a escada.
E lógico que obedeci.
E não voltei mais nas aulas sobre os vetores.
Bomba! E tive que repetir o semestre da matéria, que era pre requisito de Mecânica Geral II.
Mas aprendi o que era Vetor.
Outra palavra cabulosa que conheci foi no meu primeiro mês de estágio na vida, na Construtora Rochedo.
Estava eu na importante missão de fazer (na mão, não existia excel, muito menos computador) os quantitativos de um hospital que seria licitado na Usina de São Simão.
E me deparei com um monte de janelas, de vários tamanhos e materiais, que estavam com o nome de esquadrias.
Como tive dúvidas de como quantifica-las, perguntei ao chefe, o experiente Dr. Mangueira, dono da Rochedo, de quem eu era o estagiário:
– Doutor Mangueira, como devo colocar as “esquadrilhas” no quantitativo?
– Não precisa mais, elas acabaram de passar, olhe que ainda poderá enxergar as fumaças deixadas por elas, me mostrando o céu azul na janela.
Até hoje ainda troco esquadria por esquadrilha, e vice versa, de tanta vergonha que passei.
Ontem, prestes a completar meus 65, às 3 e meia da manhã, aprendi o significado de uma sinistra expressão em francês, que nunca consegui soletrar e nem pronunciar com o meu francês de Colégio Santo Antônio.
Que era o nome de uma janela, eu sabia.
Minha Doce Aurora (e não é só uma homenagem à doce Veruska do meu xará Ricardo Boechat. Ela é doce sim) desfez minha dúvida de décadas.
Perguntei sem nenhuma vergonha o que significava o francês do tipo de janela que se pronunciava “maxi air”, ou “Maxmoi”. A cada dia falava de forma diferente.
O nome correto e sem nenhuma tradução do francês é: “Máximo Ar”, ensinou minha mestre e doce esposa arquiteta.
E caiu na gargalhada, que durou pelo menos mais uma meia hora.
Valeu para tirá-la do torpor da falta de ética que este país maluco tem nos jogado na cara diariamente.

Rindo até agora…rss Delícia de texto!
E grata pela surpresa de ser comparada à doce Veruska do saudoso Boechat… Talvez um dia ainda chegue lá. Merci beaucoup, mon amour.
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Grazie mille, mia dolce moglie
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kkkkkkkk… e é mínimo ar que se fala! rsrsrs…
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