This Is Us – 1

O episódio que assisti hoje me fez dar uma longa volta ao passado, uma leitura do meu papel na vida.

Em uma metáfora de um trio de jazz.

Principalmente em um instrumento por muitas vezes desprezado: o baixo.

Ele é o responsável pela base harmônica, é quem concede profundidade aos sons graves.

É ele quem toca as notas fundamentais dos acordes.

Dizem serem os baixistas os goleiros da música.

Uma metáfora que li sobre o baixo: se a guitarra fosse o chantilly e a bateria, a bandeja, o baixo seria a massa do bolo. Ninguém comenta a massa, mas, sem a massa, não existe propriamente um bolo.

Por tocar a nota mais grave do acorde e sustentar a harmonia da banda, dá ao baixista um superpoder não visível para a maioria das pessoas.

Se a banda está tocando um acorde alegre e o baixista tocar uma nota que não faz parte desse acorde, muda totalmente o significado das notas e torna o acorde triste.

Portanto, a cada nota tocada pelo baixo, sua repetição, seu tempo de duração, vai fazer que o ouvinte se emocione, dançando ou chorando.

Um conselho dado por mestres da música: “Aumente o grave nos fones de ouvido e preste atenção lá atrás.”

O baixo merece total respeito.

Sinto hoje que ainda sou o baixo, quase sempre fui.

É o instrumento mais tranquilo em um trio de jazz, como na vida.

Quem sola uma música é quem recebe todas as glórias.

Mas é o baixo quem sustenta o solo.

Como na vida.

Quem ouve de verdade, escuta o baixo.

Chega um momento na vida que precisamos ser o solista.

Colocar nossas necessidades acima de tudo.

Isto depois de permitir que as outras pessoas tenham sustentado a vida e assumido o solo por um longo tempo.

Talvez tenha chegado a hora.

Nunca é tarde.

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